segunda-feira, 8 de junho de 2015

Entre a Cruz e a Parada

Depois da propaganda de O Boticário, temos a nossa nova polêmica! A imagem da modelo travesti Viviany Beleboni crucificada, na 19° edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, com o tema: “Eu nasci assim, Eu cresci Assim, Vou ser sempre assim: Respeitem-me!

Assim começou a explosão de postagens nas redes sociais, a grande verdade é que ninguém entendeu o teor desse protesto, a própria comunidade LGBT compartilhou as inúmeras críticas feitas pelos moralistas, como Feliciano e Malafaia, e estão, em sua grande maioria criticando esse ato, tal como sendo um desrespeito a imagem do pai.

Espero que alguns tenham entendido o verdadeiro teor deste ato, de crucificar uma travesti representando o Cristo. Essa foi uma forma legítima de protestar, mostrando o verdadeiro sofrimento das travestis e transexuais que são crucificadas pela sociedade todos os dias.

 As mulheres, sejam elas hétero, homo, ou transexuais, sofrem diariamente uma onda de preconceito. Preconceito esse induzido pela religião, que coloca o homem como sendo o varão, dominante e chefe da casa, por isso no meio LGBT, quem sofre mais são as trans, elas são submetidas à humilhação em todas as situações imagináveis.
Por que representar a imagem de cristo pregado na cruz por uma travesti? A pergunta é: por que não o fazer? Vivemos em um mundo cercado de intolerância e falsa moral, onde pessoas se utilizam da fé alheia para autopromoção. Cristo morreu na cruz por nós, ele pregava o amor ao próximo, ele andava com prostitutas e ladrões, ele não morreu apenas pelos homens. Cristo foi agredido, humilhado e morto, assim como vem acontecendo com as pessoas LGBT's.

Cristo, era um revolucionário, nasceu na periferia, foi perseguido politicamente devido às suas ideias igualitárias. Cristo não pregou essas coisas que esses caras falam nas igrejas. Tenho certeza que se Cristo estivesse na Parada Gay, ele teria ficado satisfeito com a representação da Viviany.

Eu não acredito nesse Deus intolerante e prepotente que as igrejas andam pregando por ai, não acredito que Deus se sentiria ofendido com tal movimento, até porque se Jesus  voltar, provavelmente voltará encarnado em uma classe que mais precisa de atenção, com certeza ele não vai voltar pastor, nem padre.

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