terça-feira, 23 de junho de 2015

André Mariano, o câncer homofóbico da Câmara Municipal de Juiz de Fora


André Mariano, 46 anos, é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) e Vereador na Câmara Municipal de Juiz de Fora.

André, no dia 17 de junho, subiu na tribuna para manifestar repúdio à 19° Parada do Orgulho LGBTT de São Paulo. Como outros religiosos que fazem da política seu meio de vida, deturpando a laicidade de nosso Estado, usou seus 10 minutos de pronunciamento para expor críticas ao manifesto realizado pela modelo transexual Viviany Beleboni, motivado pelo ódio aos LGBT's usou de argumentos religiosos para justificar as suas críticas.

André aproveitou o "espaço" para deferir inúmeras criticas aos textos que tratam de orientação sexual e identidade de gênero propostos na lei 13.005/2014 que trata da aprovação do Plano  Municipal de Educação, inclusive usava uma camisa com os dizeres "não à  ideologia de gênero".

O nobre vereador também produziu encartes atacando a proposta e denegrindo a imagem da população LGBT, dizendo que nós queremos "destruir a instituição sagrada da família. Propondo leis que desfiguram o caráter legítimo e divino da composição familiar, extinguindo seus valores."

Lembro-me de um documentário chamado Meu Eu Secreto, que conta a história de crianças transexuais e suas grandes dificuldades na escola, onde seus pais tentavam lidar com isso de todas as maneiras e não recebiam nenhum apoio das instituições, com a aprovação desses textos no PME, essas questões passam a existir na escola e isso já é um bom começo, assista-o no fim do texto.

Juiz de Fora, a cidade que serviu de exemplo com a Lei Rosa (9.197), que trata dos direitos da população LGBT, agora volta no tempo, com uma ditadura religiosa e uma Câmara moralista. As manifestações LGBT perdem apoio do poder público municipal devido a uma falta de representação LGBT no quadro político da cidade e a cada vez mais, somos bombardeados com a total falta de importância com a qual são tratados os nossos direitos.

Temos hoje em nossa cidade, um pequeno Feliciano que usou de um segmento de fieis para ser eleito e transformar uma instituição laica, que é a Câmara Municipal, em um palco para as suas opiniões religiosas. Se nós não pararmos de eleger pastores nesse país, nós vamos voltar aos tempos de inquisição, essas pessoas acreditam veementemente que estão cobertas de razão e que agem "em nome do pai".

Nós, pessoas preocupadas com a liberdade de expressão, com o progresso, com a evolução tecnológica, com o direito das pessoas, com a liberdade religiosa e sexual e com o estado laico; temos que vetar religiosos da política, volto a dizer, as casas legislativas não podem ser transformadas em templos e os valores religiosos não devem ser empregados em decisões que afetam toda uma população.

Ano que vem elegeremos vereadores, vamos votar certo para tentar acabar com essa zona religiosa que estamos vivendo, não só em JF, mas também no Brasil!


 Assista o documentário MEU EU SECRETO





Um comentário:

  1. Muito bom, Rodolfo! Não podemos permitir esse tipo de invasão das igrejas nas nossas casas legislativas! Arrasou!

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